17 Dez Entrevista: Bluecomotive Talks with… Sara Cruz
«Quis que ficasse muito verdadeiro, muito real»
O EP “Live & Acoustic” marca um regresso de Sara Cruz à essência da sua música: voz, guitarra e harmónica em estado puro. Neste novo trabalho, a cantora revisita temas de “Fourteen Forty-Five”, o álbum de estreia, e surpreende ao incluir uma canção em português — uma verdadeira raridade no seu repertório. O EP apresenta ainda uma versão intimista de um clássico norte-americano que carrega um profundo simbolismo emocional para a artista, uma pérola dos Açores que todo o Portugal merece conhecer.
O EP “Live & Acoustic” é um regresso ao essencial: voz, guitarra e harmónica. Qual a origem desse desejo de revisitar as tuas canções em formato acústico?
É assim que as minhas canções nascem – voz e guitarra – e as do disco não foram exceção, por isso ficou sempre essa vontade de revisitar alguns dos arranjos e mostrá-los de uma forma mais crua. O facto de ser “live” também é algo que eu aprecio bastante quando ouço e vejo música e atuações, então quis também adicionar essa vertente para que, além de despido, ficasse também muito verdadeiro, muito real. É diferente de lançar uma versão acústica gravada por pistas.
O disco abarca três versões de faixas do álbum de estreia, “Fourteen Forty-Five”. Qual foi o critério de seleção das canções? Porquê “Go-Getter”, “Faithful” e “Good Thing”?
A “Go-Getter” é uma canção que me divirto bastante a tocar, e senti que também havia espaço para adicionar a harmónica, por isso acabei por escolhê-la. A Faithful, pelo contraste entre a versão disco e uma versão acústica. E a “Good Thing”, porque é das minhas canções favoritas do disco.
“Na Ponta da Madrugada” marca uma novidade importante na tua discografia: é cantada em português. Como nasceu esta canção e o que representa para ti?
Esta canção nasceu porque fui convidada a compor uma para o disco dos Mar & Ilha, um projeto da ilha do Pico. O disco era para ser em português e bem açoriano. Entretanto, já foi lançado, e está disponível a bonita versão deles já há 3 anos, mas eu fiquei sempre com o desejo de um dia gravar a minha versão, que no fundo é muito parecida ao áudio que lhes enviei quando lhes mostrei a canção. Guitarra e voz.
E por falar em temas especiais e inesperados… porque escolheste incluir “Somethin’ Stupid” neste EP? O que te atraiu nesse clássico norte-americano?
A “Somethin’ Stupid” é, para mim, das canções mais bonitas de sempre. Ouço-a desde miúda, e o meu avô costumava cantá-la ao vivo. Eu nunca cheguei a ouvir, porque ele não a editou, mas toda a vida ouvi falar sobre como era bonita a versão dele, que cantava ao vivo. Adoro cantá-la e achei que fazia todo o sentido trazer uma versão minha para este EP tão cru, não só porque é uma música maravilhosa, mas porque também tem esse significado especial para mim.
“Fourteen Forty-Five” foi editado há pouco mais de um ano. Enquanto música, o que mudou em ti desde então?
Estou numa fase em que consigo olhar para o disco e ouvi-lo de fora. No outro dia ouvi-o todo o carro, do início ao fim, e voltei a apaixonar-me por ele. Como já passou um ano, já saí da bolha e de mim própria e já consigo senti-lo de uma forma menos comprometida e gosto muito disso. Já estou a pensar nos próximos projetos, com influências diferentes, etc. Muita coisa acontece no espaço de um ano, nós mudamos com a vida, e sei que o próximo trabalho há de ter uma sonoridade diferente deste.
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