Estreia nacional a 19 de setembro em Oeiras | Entrevista a Simin Tander: «Para mim, não existem fronteiras nem limites»

Estreia nacional a 19 de setembro em Oeiras | Entrevista a Simin Tander: «Para mim, não existem fronteiras nem limites»

Não é fácil encontrar palavras para definir a sonoridade de Simin Tander. Mais uma razão, como se fossem precisas assim tantas, para descobrir ao vivo a singularidade desta cantora germano-afegã residente na Noruega. O seu novo disco, “The Wind”, é um mapa de afetos e folclore, um exercício de pura liberdade que o Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide/Oeiras, terá oportunidade de apreciar já a 19 de setembro, na estreia absoluta da artista em palcos nacionais.

 

“The Wind”, o novo álbum, é cantado em cinco línguas, celebrando o folclore e a poesia do Afeganistão, Espanha, Itália, Inglaterra e Noruega. O que a inspirou a reunir esta combinação particular de culturas?

Este disco reflete-me de forma bastante holística como musicista, pessoa e ouvinte: é no seu todo um álbum muito internacional. Algo que me é muito natural, consequência de ter crescido numa família multicultural e de sentir cada língua como um universo sonoro próprio. Sempre adorei explorar diferentes línguas na música, desde que comecei a ter os meus primeiros projetos enquanto estudante. Para mim, não existem fronteiras ou limites quanto às canções, à poesia ou às línguas que canto – preciso de sentir uma ligação profunda à melodia ou à atmosfera da canção e ser capaz de a tornar minha. De a levar suavemente para dentro do meu próprio universo musical. “The Wind” reflete também a minha herança afegã através das canções em pashto, que continuam a ter um papel essencial na minha música. O pashto é uma língua lindíssima! Depois vêm as minhas próprias composições com letras de cariz poético, que escolho conscientemente escrever em inglês para tornar a mensagem acessível à maioria das pessoas. Muitas dessas canções e também sonoridades refletem a música que eu ouvia na adolescência e juventude. A música folclórica de diferentes partes da Europa, algo que sempre me atraiu. Ou, desta vez, também temas muito groovy que remetem para o meu amor precoce pelo hip hop e pela música groove. Foi uma escolha muito consciente reunir canções, culturas e estados de espírito aparentemente contrastantes e criar uma história única através deles. O som coeso da banda e a minha voz percorrem as diferentes cores e unem-nas. Além disso, todas as canções estão ligadas pelos temas do amor e da devoção.

O álbum intitula-se “The Wind”. O que representa essa metáfora?

O elemento vento, para mim, simboliza a fusão dos contrastes — tanto as brisas suaves como as tempestades —, evocando transformação, liberdade e união. O poder intemporal e unificador do vento, enquanto elemento que transcende fronteiras, coneta as diferentes culturas, línguas e estados de espírito do álbum num fluxo quase mágico — sendo sempre vento. Tenho uma fascinação pelo poder arcaico dos elementos e o vento também se reflete no meu canto, onde brinco com o ar e com sons subtis em vez de os esconder. Como se o vento soprasse através dele. O vento está sempre em movimento. Para mim, a imagem e a sensação de movimento são essenciais na minha música e expressão.

 

A sua música é tão rica e cheia de camadas que resiste a classificações simplistas. Se tivesse de a definir, como descreveria a sua sonoridade?

Nunca é fácil encontrar palavras para algo que talvez não possa ser captado em palavras, mas uma fusão de world jazz contemporâneo e folk ambiental, com influências de indie pop poderá ser bastante adequada.

 

Através das suas composições, que sentimentos ou mensagens espera transmitir ao público?

Na minha música sempre existiu uma sensação forte de “desejo”, na verdade o português “saudade” é uma descrição perfeita disso! Quando canto, procuro ligar-me a algo mais profundo do que a razão, é um lugar de profunda alegria de onde a música nasce, podendo ser imensamente suave e terna ou livre e selvagem. Pode também ser uma transformação da dor e do luto. O melhor que pode acontecer é que simplesmente aconteça por si só e eu me limite a deixar fluir através de mim para o público. Aí a música é verdadeira e pode, espero eu, chegar aos corações, tocar as pessoas a um nível distante da razão. Depois dos concertos, ouço muitas vezes que alguém sentiu algo transformador. Isso toca-me imenso e é tudo o que me importa: que a música seja verdadeira e venha puramente do meu coração — só assim pode também ter um poder curativo e chegar aos outros.

 

MAIS INFORMAÇÕES:

19 SET
OEIRAS

AUDITÓRIO MUNICIPAL RUY DE CARVALHO
21:30
COMPRAR BILHETES: 10,00 €

LOCAIS DE VENDA
Auditório Municipal Ruy de Carvalho (no próprio dia, a partir das 15h00), Posto de Turismo de Oeiras, Palácio Anjos, Centro Cultural Palácio do Egipto, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Ticketline, ABEP, ASK ME Lisboa, Worten, Fnac, C.C. Mundicenter, SuperCor Supermercados, It Tabacarias, MMM Ticket, El Corte Inglés, E. Leclerc, Altice Fórum Braga, Cascais Visitor Center, Casino Lisboa, Centro Cultural de Belém, Galeria C. Campo Pequeno, Multiusos Guimarães, Super Bock Arena, Teatro Tivoli BBVA e Time Out Mercado da Ribeira.

 

📸Matthis Kleeb



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