26 Nov Entrevista: Bluecomotive Talks with… Monday
«O mood foi de muita autodescoberta»
Monday nasceu do desejo de Catarina Falcão de se entender através da música. É um projeto em constante mudança e evolução, reflexo também das suas experiências pessoais, que cruza um espaço muito íntimo, por vezes mais “downer”, mas ao mesmo tempo de leveza. Vivendo alegremente nessa dicotomia, depois da estreia com “One” (2018), ganhou fôlego no segundo álbum, “Underwater, feels like eternity” (2024). Já este ano, a cantora/compositora decidiu despir arranjos e versos, no EP “Live Underwater”, que apresenta versões ao vivo e intimistas de algumas das mais belas faixas do álbum. Para apreciar ao vivo, já a 29 de novembro, no ambiente exclusivo do àCapela Live Arts & Bar / MACAM, em Lisboa.
De onde surgiu a vontade de gravar o EP Live Underwater e os respetivos videoclipes? Além disso, que critérios guiaram a seleção dos temas que o compõem?
Na realidade foi ao contrário, queria ter um registo ao vivo do meu disco e da banda com vídeo, em parte para efeitos promocionais e, por outro lado, para poder ter estas imagens comigo quando for mais velha e me sentir nostálgica. O EP veio em consequência. Quanto aos critérios, foram feitos de forma a respeitar a natureza do disco e da fase em que ele nasceu.
Assumes que o projeto Monday nasceu do desejo de te compreenderes através da música. Qual o mood de “Underwater, feels like eternity” e o que mudou em ti desde essa fase?
O mood foi de muita autodescoberta, de estar num lugar de alguma solidão e perceber como conseguia tornar isso “útil”. Muito mudou desde então, acho que acima de tudo por estar num lugar mais em família agora, tanto a nível pessoal como de trabalho.
Podemos encarar o EP “Live Underwater” como uma espécie de fim de um ciclo na tua trajetória pessoal e artística?
Todos os lançamentos têm o seu ciclo, porque pertencem tão diretamente a uma altura específica na vida de quem os criou. E, como estamos sempre em mudança, posso considerá-lo mais um fecho a um ciclo.
Recentemente fizeste duas residências artísticas dedicadas à composição de novas canções, com a novidade de partilhares ideias ainda muito embrionárias com os músicos que te acompanham em estúdio e em palco. Como descreves essa experiência e o impacto que teve no teu processo criativo?
Terminei agora a residência com a minha banda em Vila Real, na casa da minha família. Ainda estamos no início do processo daquilo que será um disco, mas foi muito gratificante ter começado isto com eles e naquele lugar. Fico feliz por ter amigos com quem posso partilhar música e aprender.
Nos temas resultantes desse processo, podemos esperar atmosferas mais “downers” ou uma maior leveza? Ou será antes um equilíbrio entre as duas, mantendo essa dicotomia emocional que já se tornou uma marca tua?
Difícil dizer para já, ainda há muito caminho pela frente.